A primeira visita ao dentista deve acontecer antes do primeiro aninho. Entenda o porquê, o que esperar da consulta e como preparar seu filho.

Essa é, sem dúvida, uma das perguntas que mais ouço no consultório. E entendo o motivo: a maioria dos pais foi ao dentista pela primeira vez com quatro, cinco ou até seis anos. Então parece estranho e quase exagerado levar um bebê.
Mas a odontopediatria mudou muito. E os dados mostram que quanto mais cedo começamos, melhor.
A recomendação atual é levar a criança ao odontopediatra assim que nascer o primeiro dentinho Ou até antes de completar um ano de vida, mesmo que os dentes ainda não tenham aparecido.
Por que tão cedo?
Porque os primeiros anos são a janela mais importante para criar hábitos, prevenir problemas e, talvez o mais valioso, fazer com que a criança cresça sem medo do dentista.
Quando esperamos até os três ou quatro anos para a primeira consulta, muitas vezes já chegamos com cárie instalada, hábitos difíceis de mudar e uma criança que nunca viveu a experiência do dentista de forma positiva. Aí a consulta deixa de ser preventiva e vira tratamento.
Essa primeira consulta é para orientar você, pai e mãe, sobre como cuidar da boca do seu filho em casa e criar uma relação de confiança entre a criança e o dentista desde o início.
O que acontece na primeira consulta do bebê?
Muitos pais chegam com aquela expectativa de que vai fazer limpeza, aplicar flúor, fazer algum procedimento. Na maioria das vezes, não é assim.
A primeira consulta é uma conversa. Uma avaliação. Um primeiro contato.
- Avaliação do desenvolvimento da boca, mandíbula e dos dentes que já apareceram
- Verificação de hábitos como chupeta, mamadeira e amamentação noturna
- Orientação sobre escovação — quando começar, como fazer, qual escova usar
- Explicação sobre o uso correto do flúor para a idade
- Identificação de fatores de risco para cárie precoce
- Espaço para responder todas as dúvidas da família
E se meu filho ainda não tem dentes?
Mesmo assim vale a consulta, pois a parte mais importante é a orientação sobre os cuidados de saúde bucal.
Além disso, alguns bebês nascem com alterações que passam despercebidas: freio lingual curto (que pode atrapalhar a amamentação e a fala), dentes natais, cistos de erupção. O olho treinado do odontopediatra identifica cedo o que, tratado na hora certa, não vira problema.
PERGUNTAS FREQUENTES
Meu filho tem dois anos e ainda não foi ao dentista. Perdi a janela certa?
Não. A melhor consulta é sempre a próxima. Leve assim que puder, quanto antes, melhor. O objetivo agora é avaliar o que já está presente, orientar sobre hábitos e, se necessário, tratar precocemente antes que pequenos problemas virem grandes.
Com que frequência devo levar depois da primeira consulta?
De modo geral, a recomendação é a cada seis meses. Mas isso pode variar conforme o risco de cárie de cada criança. Há crianças que precisam de acompanhamento mais próximo, a cada três ou quatro meses, e outras que vão bem com revisões anuais.
Quem define essa frequência é o odontopediatra, depois de conhecer a criança e a rotina da família.
Como preparar meu filho para ir ao dentista?
A dica mais importante: não use o dentista como ameaça. “Se você não escovar os dentes, o dentista vai arrancar todos” é a frase que mais dificulta o trabalho de qualquer odontopediatra. A criança chega com medo antes de conhecer o lugar.
Fale do dentista de forma natural, como alguém que cuida da saúde. Deixe que a consulta seja a primeira experiência, sem antecipar o que vai acontecer.
Na minha consulta, não apresso nada. Se a criança precisar de mais tempo para se familiarizar com o ambiente, a gente dá esse tempo. Confiança não se força, se constrói.

Dra. Danielle Coelho
Odontopediatra
CRO-GO 7745